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NOTÍCIAS

08/05/2017
Análises Clínicas
Que cuidados o laboratório deve se atentar no teste de HbA1c, com Dr. Nairo Sumita
Diante das opções de mercado, as sociedades médicas se posicionam sobre as principais metodologias de referência para o diagnóstico e acompanhamento do diabetes
Em 1993, um estudo norte-americano denominado The Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) validou a hemoglobina glicada (HbA1c ou A1C) como um dos exames mais importantes para o acompanhamento do diabetes tipo 1, devido à relação muito próxima entre o nível de hemoglobina glicada e o risco de desenvolvimento das complicações da doença. Cinco anos mais tarde, no Reino Unido, o estudo United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS) validou a A1C para o monitoramento do diabetes tipo 2. Embora o exame já existisse, a comprovação científica validou a importância do teste no controle da glicose em longo prazo nos pacientes diabéticos.

Em 2010, a A1C também passou a ser um parâmetro de auxílio ao diagnóstico do diabetes. Após muitos estudos e a validação por parte da American Diabetes Association (ADA), concluiu-se que o teste também era útil para identificar pacientes portadores da doença. Uma das primeiras complicações do diabetes é o desenvolvimento da retinopatia (uma das principais causas de cegueira no mundo), cujos sinais de surgimento estão relacionados ao aumento do nível de A1C.

Independentemente da metodologia que seguem, os testes utilizados no diagnóstico e monitoramento da A1C devem ter certificação pelo National Glycohemoglobin Standardization Program (NGSP), entidade americana apoiada pela ADA e criada para padronizar os resultados de A1C com rastreabilidade em relação aos estudos DCCT e UKPDS por meio da certificação de métodos comerciais disponíveis e também de laboratórios clínicos.

“Fala-se muito sobre a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC, sigla em inglês), pois ela foi a metodologia utilizada em campo nos estudos DCCT e UKPDS, razão de esse método se tornar conhecido no meio laboratorial. Há, porém, outras metodologias, como a imunoturbidimetria, que apresenta excelente desempenho analítico. Importante ressaltar que a principal exigência para utilização de um método para dosagem de A1C é que ele seja certificado pelo NGSP, pois garante a obtenção de resultados que permitem seu uso para fins de diagnóstico e acompanhamento do diabetes”, esclarece o diretor científico da SBPC/ML, Dr. Nairo Sumita.

A escolha sobre o método utilizado é uma definição laboratorial. De acordo com Sumita, o imunoensaio de inibição turbidimétrica para testes de hemoglobina glicada possui grandes virtudes, como o fato de ser totalmente automatizado em analisadores bioquímicos – e também poder realizar diversos outros ensaios. “Baseado no princípio da reação antígeno-anticorpo, a turbidimetria ou imunoturbidimetria é considerada um dos métodos de menor interferência quanto à presença de variantes de hemoglobina na amostra”, diz o patologista clínico.

As variantes de hemoglobina glicada são consideradas no resultado final como A1C pelo método imunoturbidimétrico. Amostras de pacientes com níveis elevados de ureia, que resultam na formação da hemoglobina carbamilada, não induzem interferência no método da imunoturbidimetria.
 
Como se posicionam as sociedades médicas?

Diante das opções de mercado, as sociedades médicas se posicionam sobre as principais metodologias de referência para o diagnóstico e acompanhamento do diabetes, cumprindo um importante papel de comunicar médicos, agências regulatórias e pacientes sobre o atendimento e a importância do controle da doença.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dr. Luiz Alberto Turatti, a SBD segue o modelo preconizado pelas grandes sociedades de diabetes do mundo, que reconhecem o diagnóstico por meio de glicemia de jejum, teste oral de tolerância à glicose e hemoglobina glicada. Para monitorização, os testes reconhecidos são por hemoglobina glicada e automonitorização capilar.

“A Sociedade é muito ativa no sentido de alertar a população sobre a importância do controle da doença e na capacitação de profissionais de saúde acerca do diabetes. Temos canais de comunicação para que o conhecimento chegue não só aos gestores de saúde, mas aos médicos e pacientes de forma clara e segura”, diz.

O diretor científico da SBPC/ML, Nairo Sumita, afirma que no Brasil adotam-se as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, bem como as diretrizes da ADA e as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com ele, em muitos laboratórios americanos, o método da imunoturbidimetria tem papel de destaque na dosagem da A1C. Além da diretoria científica da SBPC/ML, Sumita é professor assistente doutor da disciplina de patologia clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Bioquímica Clínica da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da FMUSP e assessor médico em bioquímica clínica do Fleury Medicina e Saúde.

Ele informa que atualmente a Federação Internacional de Química Clínica (IFCC, sigla em inglês) – desenvolve projeto para padronização e harmonização de metodologias, em particular na dosagem de hemoglobina glicada, denominado IFCC HbA1c Network.

Em 2009, a SBPC/ML, a SBD, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Nacional das Associações e Entidades de Diabetes (FENAD) publicaram um documento denominado Atualização sobre Hemoglobina Glicada (A1C) para Avaliação do Controle Glicêmico e para Diagnóstico do Diabetes: Aspectos Clínicos e Laboratoriais, em que são desmitificados alguns conceitos sobre a hemoglobina glicada. “O documento foi criado para discutir conceitos acerca da utilidade da A1C na prática clínica, bem como os aspectos laboratoriais, em particular, as metodologias para dosagem da A1C”, diz.

Sumita explica que a SBPC/ML adota as diretrizes das sociedades científicas e entidades que indicam o uso da A1C para o diagnóstico e acompanhamento do diabetes, sobretudo conscientizando os laboratórios clínicos no Brasil acerca da necessidade de utilizarem métodos certificados pelo NGSP.

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