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25/09/2018
Análises Clínicas
Pesquisa identifica método para precisar diagnóstico de diabetes insipidus
Doença é caracterizada pelo consumo excessivo de água e produção exagerada de urina
O diabetes insipidus, caracterizado pelo consumo excessivo de água (polidipsia) e pela produção exagerada de urina (poliúria) – o que pode levar a pessoa a urinar até dez litros por dia – é diagnosticado com base na avaliação da história clínica e de testes de restrição hídrica ou de infusão salina. Embora adotados internacionalmente, esses métodos são tecnicamente complicados de executar e costumam apresentar resultados imprecisos, influenciando a decisão sobre o tratamento. Com o objetivo de melhorar os resultados obtidos nesses testes, equipe multicêntrica de pesquisadores identificou o uso de um pré-hormônio, a copeptina.

O estudo foi realizado na Suíça, na Alemanha e no Brasil. Aqui, foi desenvolvido na Faculdade de Medicina da UFMG pelo professor Antônio Ribeiro-Oliveira Júnior e por sua orientanda Juliana Drummond. Os resultados foram divulgados em artigo publicado no New England Journal of Medicine. “Dada a importância do assunto, a publicação na mais conceituada revista do mundo em clínica médica foi acompanhada de editorial, que reforça a importância da dosagem da copeptina no teste de infusão salina como o principal e mais acurado meio de investigar a síndrome de poliúria e polidipsia”, registra Ribeiro-Oliveira.

“A doença é conhecida há séculos e tem como causas a falta do hormônio antidiurético (a vasopressina, produzida no hipotálamo) ou da sua ação. Além disso, a pessoa adquire o hábito de beber muita água, seja por compulsão ou mesmo em razão de um problema psiquiátrico”, explica Juliana, também médica do Hospital das Clínicas da UFMG. “O que o estudo traz de novo é a possibilidade de dosar esse hormônio por meio de um marcador substitutivo, de forma mais estável, já que a vasopressina é facilmente degradável e difícil de detectar, possibilitando, assim, resultados mais precisos”, acrescenta.

Injeção de sal

De acordo com Juliana, atualmente, quando há dúvida sobre a causa do diabetes insipidus, coloca-se a pessoa em restrição hídrica por horas – procedimento considerado complicado e demorado – para, ao final, medir a vasopressina. “É desconfortável para o paciente. Mesmo supervisionado, quem tem mania de beber água, por exemplo, vai querer burlar a restrição, tornando o procedimento ainda mais difícil de ser realizado. Além disso, é difícil medir a vasopressina no teste porque a molécula se degrada facilmente, gerando, muitas vezes, resultados errôneos”, argumenta a médica.

A busca de um novo teste é motivada justamente das limitações da restrição hídrica como método de suporte ao diagnóstico. “Percebemos que não chegávamos a um diagnóstico final com confiança absoluta. Em alguns casos, não era possível indicar o tratamento, que se diferencia de acordo com a causa”, discorre Juliana, acrescentando que a deficiência do teste é descrita em toda a literatura mundial.

“Então, propomos introduzir a copeptina e conseguimos um resultado muito mais apurado no teste de salina hipertônica, em que se injeta ‘sal’ para acelerar o processo de elevação da concentração plasmática necessária para obter o diagnóstico. Apesar de ter seus riscos, o processo teve uma sensibilidade muito maior”, afirma Antônio Ribeiro-Oliveira. Segundo ele, a infusão salina obteve melhores resultados, visto que a copeptina foi capaz de distinguir melhor os casos de polidipsia (compulsão pela ingestão de água) dos casos de diabetes insípidus (falta total ou parcial da ação da vasopressina).

Segundo os pesquisadores da Faculdade, os dois testes implicam riscos, como a desidratação, hipotensão, sensação de mal-estar, dor de cabeça, enjoo, entre outros, e precisam ser acompanhados por equipe de saúde experiente, em centros de referência. No entanto, a maioria dos 140 pacientes participantes da pesquisa considerou a infusão salina mais agradável.

Outras situações

Juliana informa que pacientes portadores de diabetes insipidus podem, ainda que raramente, morrer em consequência de um quadro de desidratação grave, caso não sejam diagnosticados e tratados corretamente, e que, frequentemente, a doença surge após cirurgia de hipófise ou tumor no cérebro. Ao lesar o hipotálamo, região que produz o hormônio, também ficam prejudicadas as regiões responsáveis pelo controle da sede. Isso complica ainda mais o quadro, já que a pessoa passa a não mais sentir vontade de beber água, mas apresentará maior volume de urina, podendo, então, ficar desidratada.

Os pesquisadores pretendem agora, em colaboração com colegas da Suíça, descobrir um processo mais confortável do que a infusão salina para o diagnóstico, como uma droga oral. “Nossa expectativa é avaliar a copeptina em outros aspectos do metabolismo, como situações de estresse. Já temos um estudo com essa avaliação, mostrando que esse pré-hormônio também é um marcador importante de estresse em crianças e adolescentes”, antecipa Antônio Ribeiro-Oliveira.
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